sexta-feira, 20 de julho de 2012

Deusas Negras - Hécate

Por Sandrini
Hoje, teremos um post especial como pedido do nosso amigo Nix, que tem um grande interesse por essa Deusa misteriosa!

A lenda não é clara quanto à sua origem. Alguns mitos dizem que Hécate era filha dos titãs Tártaros e Noite; outras versões dizem ser de Perseus e Astéria (Noite-Estrelada), ou de Zeus e Hera.

        É a personificação da lua e do lado escuro do princípio feminino. Uma deusa tríplice por si só, sendo representada muitas vezes com um corpo com três cabeças (uma jovem, uma adulta e uma velha). Perceba que ela abre e fecha um ciclo em si mesma, passando pelo Nascimento, indo até a Maturidade onde encontramos a fertilidade e educação, e terminando na Sabedoria.

       Também chamada de Deusa das Encruzilhadas, ela andava nas noites de Lua Nova acompanhada por uma matilha de cães de caça, carregando duas tochas ardentes. Lembramos do chacal Anúbis do submundo egípcio, que podia distinguir o bom do mal; e o Cérbero, o cão de três cabeças que guardava as portas do submundo da antiga Grécia.

       As pessoas a veneravam deixando oferendas nas encruzilhadas, “almoço de Hécate”, e faziam imagens de mulheres tricéfalas, as “Hecatéias”, em sua homenagem.

        Os três símbolos sagrados de Hécate são: a Chave, por ser ela carcereira do Mundo Inferior; o Chicote, que revela o seu lado punitivo e seu papel de condutora das almas; e o Punhal, símbolo de seu poder espiritual, que mais tarde tornou-se o Athame das bruxas.

       Todos os animais selvagens eram consagrados à Hécate e por isso, foi mostrada muitas vezes com três cabeças de animais: o cão, a serpente e o leão, ou alternadamente: o cão, o cavalo e o urso. Seus animais mais conhecidos são, entretanto, o cão e o lobo. O cipreste era a árvore sagrada da Deusa. Hécate ainda é Mãe de todas as aranhas.

       Transmite o poder de olhar em três direções ao mesmo tempo. Ela também nos revela os caminhos mais escondidos e secretos do inconsciente, os sonhos guardados, o lado dos desejos mais ocultos. Hécate é a Deusa que pode conduzir aos caminhos mais difíceis e perigosos, aos abismos e às encruzilhadas da própria psique. A sua função é de guia dentro do reino oculto da alma.

        No Submundo, Hécate é a carcereira e condutora das almas, a Pritânia, a “Rainha Invisível” dos Mortos. As almas, tendo passado por Cérbero, o cão tricéfalo, e sido julgadas pelos três Juízes dos Mortos, devem chegar às encruzilhadas tríplices do Inferno. Nesse ponto, Hécate envia ao reino para o qual foram julgadas adequadas: para as campinas do Asfódelo, para o Tártaro ou para os Campos Elíseos.

       Como aspecto de Deusa Amazona, a carruagem de Hécate era puxada por dragões. As mulheres que a cultuavam normalmente tingiam as palmas das mãos e as solas dos pés com hena.

       A Deusa Hécate era uma deidade de muitos títulos e nomes. Como Propylaia (Aquela que fica na frente do Portão), Hécate oferecia proteção contra o mal. Neste aspecto seu culto era realizado no portão da entrada, lugar onde eram colocadas as estátuas em sua homenagem.

       Como Propolos (A Criada que Conduz), Hécate servia como guia de outras deidades. Exemplo deste fato se dá quando ela conduz Deméter ao Mundo Inferior, para resgatar Perséfone das mãos de Hades.

       Como Phophoros (Aquela que traz Luz) ela é portadora de duas tochas, que servem para iluminar o caminho em busca de nosso sombrio inconsciente.

       Como Kourotrophos (Aquela que cuida das Crianças), Hécate estava associada às parteiras e era responsável pelo nascimento, já que os poderes que dão vida, também acarretam a morte.

       Como Chthonia, ela está associada aos poderes da prática de magia, relacionando- se com outros deuses da Terra, como Hermes e Perséfone, no seu aspecto de Deusa-Anciã, Senhora do Mundo Inferior.

       A conexão com Hécate representa para nós um valioso meio para acessar a intuição e o conhecimento inato, desvendar e curar nossos processos psíquicos, aceitar a passagem inexorável do tempo e transmutar nossos medos perante o envelhecimento e a morte. Hécate nos ensina que o caminho que leva à visão sagrada e que inspira a renovação passa pela escuridão, o desapego e transmutação. Ela detém a chave que abre a porta dos mistérios e do lado oculto da psique; Sua tocha ilumina tanto as riquezas, quanto os terrores do inconsciente, que precisam ser reconhecidos e transmutados. Ela nos conduz pela escuridão e nos revela o caminho da renovação.

       Porém, para receber Seus dons visionários, criativos ou proféticos precisamos mergulhar nas profundezas do nosso mundo interior, encarar o reflexo da Deusa Escura dentro de nós, honrando Seu poder e Lhe entregando a guarda do nosso inconsciente. Ao reconhecermos e integrarmos Sua presença em nós, Ela irá nos guiar nos processos psicológicos e espirituais e no eterno ciclo de morte e renovação. Porém, devemos sacrificar ou deixar morrer o velho, encarar e superar medos e limitações; somente assim poderemos flutuar sobre as escuras e revoltas águas dos nossos conflitos e lembranças dolorosas e emergir para o novo.


Fonte: Olhos de Bastet; Teia de Thea; Portal Astrologia e Esoterismo; e amigos.

Ps- Estou pensando em abrir um círculo de matérias sobre deuses negros, começando por Hécate. O que acham?

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