terça-feira, 20 de agosto de 2013

continuação da postagem "Verdadeiramente rico"

 Por Fernando Coelho.

 Para quem não leu o inicio da historia, basta clicar no link abaixo.
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 "Como você se sente depois de ter dividido uma refeição com um dos homens mais ricos de Jerusalém?" Salomão colocou as mãos atrás das costas e curvou um pouco a cabeça, como um homem entregue aos pensamentos.
 "Prezo cada minuto que tenho o privilégio de passar com o senhor, Majestade."
 "Não me referi à minha pessoa", disse o rei, balançando a cabeça.
 A mente de Abidã se atrapalhou com as palavras de Salomão."Sinto muito, Majestade, não compreendo. De quem o senhor está falando?"
"De Nemuel, é claro. Só havia três pessoas à mesa, Abidã."
 "Eu sei... Só achei... Nemuel é um homem rico?"
 "Um dos mais ricos que você vai conhecer em toda a sua vida." Salomão fez uma pausa e analisou a expressão de Abidã. "Você parece confuso."
 "Estou, Majestade. Quero dizer, a casa dele é bonita, mas não é o tipo de casa que os ricos constroem para morar. É só um pouco maior que a do meu pai, e nós não somos ricos."
 "Você mede a riqueza pelo tamanho da casa de um homem?"
 Abidã sentiu o chão se abrir: "Não, Majestade".
 "Então como alguém reconhece uma pessoa rica?"
 Abidã refletiu, retardando ao máximo a resposta.
 "Abidã, às vezes é melhor falar com franqueza em vez de procurar uma resposta que você acha que eu quero", disse Salomão.
 "Sim, Majestade. As pessoas ricas vestem roupas caras, moram em casas muito grandes, possuem coisas que as outras pessoas não podem ter."
 "É verdade que muitos fazem coo você diz. Nemuel, porém, é muito rico e não gasta a sua riqueza em uma casa grande e em roupas caras."
 "Mas por quê, Majestade? Se ele pode ter essas coisas, por que não as compra?
 Salomão ergueu a cabeça, respirou fundo e disse: "Há os que fingem ser ricos, porém nada têm. Há os que fingem ser pobres, mas são abastados" (Provérbios, 13:7). O rei não disse nada. Não havia necessidade. Abidã começara a lição antes de pegarem o caminho do palácio.
 Como sempre, Abidã recitou as palavras diversas vezes, para memorizá-las. "Nemuel finge ser pobre, mas é rico?"
 "Exato, Abidã. Como você disse, a casa dele é maior que a sua. Ele mora em uma das melhores partes da cidade, perto do Templo e de outros edifícios públicos. Ele pode ter muito mais, mas preferiu o estilo de vida que você viu."
 "Majestade, posso fazer uma pergunta?"
 "Por favor, faça."
 "Se o seu amigo é rico, mas trabalhou na corte do seu pai, então como ele conseguiu  a sua riqueza? Ele herdou o dinheiro?"
 "Não, e eu o pouparei da preocupação de perguntar. Eu não dei riqueza a ele."
 "Não entendo, Majestade."
 "Poucas pessoas entendem, Abidã. Nemuel passou a vida cuidando do seu dinheiro. Ele pode ter uma casa mais cara, mas a que tem satisfaz as necessidades dele e da sua família. Ele pode comprar comidas mais refinadas, mas a comida simples o manteve saciado e bem. O dinheiro que não gastou, Nemuel poupou para seu futuro. Abidã, você conhece muitos da idade de Nemuel que vivem como ele?"
 Abidã recorreu à sua memória. "Não, Majestade. A maioria dos homens trabalha até morrer ou até não conseguir mais. Se eles não são capazes de trabalhar, então suas famílias os sustentam."
 "Nemuel não trabalha mais e cuida de si e da sua mulher. Ele pode fazer isso porque achou melhor gastar somente o que precisava gasta, e não o que podia gastar. Você entende?"
 "Estou tentando entender, Majestade. Nemuel vive bem porque não foi negligente com o seu dinheiro. Ele pensou no futuro e não no momento."
 "Você se expressou muito bem, Abidã. Agora, qual é a lição para você?"
 "Devo gastar o dinheiro nas minhas necessidades e não nas minhas vontades. Ao longo do tempo, juntarei dinheiro suficiente para futuras necessidades."
 "Exatamente."
 "Mas, Majestade..." Abidã não foi capaz de fazer a pergunta.
 "Não escutei todas as suas palavras."
 "Não é nada, Majestade. Minha pergunta é imprópria."
  "Você que saber por que, se minhas palavras são sábias, eu moro em um grande palácio, uso roupas tão finas, tenho tantos criados e vivo no luxo. Essa é a sua pergunta?"
 "Sim, Majestade", respondeu Abidã, abaixando a cabeça.
 "Há muitos motivos. Primeiro, minha riqueza cresceu tanto que não consigo gastá-la toda. Será transmitida aos meus herdeiros e ao reino após a minha morte. Segundo, sou o rei de toda a nação. Minha influência se estende do Egito, no sul, até a grande rio Eufrates. Represento não somente a mim mesmo, mas a todo o reino. Lido com reis de muitos países. É importante que eles me vejam como uma pessoa de poder, força, riqueza e sabedoria."
 "Entendo."
 "Minha situação é única. O que Nemuel fez, qualquer um pode fazer."
 Abidã concordou com um gesto de cabeça. "Um homem finge ser rico, porém nada tem; outro finge ser pobre, mas é abastado." Ele refletiu a respeito das palavras mais um pouco. "há aqueles que parecem ricos, mas na realidade são pobres. Há aqueles que os outros julgam ser pobres, mas na realidade são ricos."
 "Sim, Abidã. Nos dois casos, o rico e o pobre fizeram uma escolha. Você enfrentará a mesma escolha."
 "Farei a escolha correta, Majestade."
 "Tenho certeza que sim."


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