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segunda-feira, 30 de julho de 2012

BOOK TRAILER DE "Os Dragões de Titânia" Volume II



AMIGOS! TITANIANOS! COMPATRIOTAS!
A hora é essa e o momento é já!


Venha reencontrar esses aventureiros fanfarrões no segundo volume da série Os Dragões de Titânia durante a Bienal do Livro de São Paulo.

Lançamento oficial dia 12/08, de 11 às 13:30, mas o autor Renato Rodrigues e a ilustradora Carolina Myius estarão presentes durante o dia inteiro. Renato também estará presente nos outros dias da Bienal (mas não sei se ainda vai ter brinde)! Vamos nos aventurar, galera! E ESPALHEM A NOTÍCIA!!! TODOS OS CAMINHOS LEVAM À TITÂNIA!




Os Dragões de Titânia - A Queda do César
Agora pela Editora Linhas Tortas!

Eu não sei como conseguiremos, mas estamos mais perto
HOJE do que ontem...

ESTANDE J60
Livraria Loyola

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Deusas Negras - Cerridwen

Por Sandrini


Mais uma vez atendendo a pedidos, estarei explicando um pouco sobre a Deusa Cerridwen, muito comentada e que vimos em muitos contos por ai. Quem leu As Brumas de Avalon vai se lembrar desse nome, muito citado por Morgana, principalmente quando está sendo consagrada na Ilha Sagrada.

Deusa do panteão galês, sendo chamada de Grande MãeSenhora. É sempre associada à morte e renascimento, fertilidade, regeneração, inspiração, magia, astrologia, ervas, poesia, encantamentos e conhecimento. Seu consorte na cultura pagã é geralmente o deus Cernunnos (lê-se Quernunos) e juntos representam a dualidade da natureza. Deusa da lua, dos grãos, da natureza. Seu animal totem, a porca branca que devora cadáveres. As oferendas tradicionais são o ovo, a maçã, o azeite e os bolos. Mas a fragrância de um incenso especialmente escolhido e a chama delicada de uma vela negra também são  recomendadas num ritual para essa deusa. Indispensável a presença do Caldeirão, explicado abaixo.

Conta-se que Cerridwen, com a bebida de seu caldeirão transformava um homem comum em um rei. Sua história vem do País de Gales medieval e se encontra escrita em "The Mabinogi (1977) de Patrick K. Ford. 


Cerridwen era esposa do gigante Tegid com quem teve dois filhos, uma linda donzela, Creirwy e outro era um rapaz feio, Avagdu – em determinadas fontes, Morfran. Como queria que o rapaz tivesse algo de seu, ela fez para ele uma poção mágica que o deixaria um homem muito sábio. Demorou um ano e um dia para terminar de fazer a poção, que se destinava a torná-lo inspirado e brilhante. Ela ordenou que Gwion, seu assistente, tomasse conta da poção e o advertiu para não bebê-la.

Acidentalmente, algumas gotas da poção espirraram na mão de Gwion, e ele levou a mão à boca. Instantaneamente, ele sabia tudo, até mesmo que Cerridwen tentaria mata-lo. Ele fugiu e ela foi atrás, no que se chama “Caçada Mágica”.

Gwyon transformou-se em uma lebre, e Cerridwen em um cão.  Transformou-se então em um salmão, e ela em uma lontra. Por último, transforma-se em um grão de trigo, mas a Deusa em corpo de uma galinha o come. Nove meses mais tarde Cerridwen deu à luz em Taliesin, o maior dos Trovadores Celtas. Depois de tê-lo em seu seio, não conseguiu mais matá-lo. Ela então o coloca dentro de um saco de pele e introduzindo-o dentro de uma pequena barca, que fica a deriva sobre as ondas, sendo encontrado mais tarde por camponeses.

Seu aspecto caracterizado em corpo de uma velha, representa o conhecimento de todos os mistérios que só a idade e a experiência podem proporcionar. Ela é a Deusa que devemos reverenciar nos momentos de dificuldades e anulação de qualquer tipo de malefício. Ela é a Deusa do caos e da paz, da harmonia e da desarmonia. E então, quando a Lua não brilha no céu e a escuridão é nosso legado, devemos deitar oferendas a Ela, que também olha por nós em nossos momentos de trevas.

Cerridwen é uma deusa celta e seu culto era mais representativo no País de Gales. Era a "senhora do caldeirão" e representa a poção da vida e da morte. O caldeirão, seu maior símbolo representa a fertilidade e a regeneração, por isso também era deusa dos bosques e dos animais. Os rituais para essa deusa eram feitos na lua minguante. 

As energias masculinas e femininas convergem na concepção e no momento da criação. É o bailado coreográfico destas energias que formam a base para o equilíbrio e a harmonia do nosso universo. A tradição Druida explica que todo o aspecto feminino tem um aspecto masculino complementar. 

O caldeirão tem sua base mitológica na tradição celta. O vaso de prata era chamado de "Caldeirão de Regeneração". O sangue despejado dentro dele devia formar uma bebida regeneradora ou um banho. Também está registrado que o caldeirão deveria ferver até que produzisse "três gotas da graça da inspiração", desta forma é conhecido como o Caldeirão da Inspiração".

Cerridwen chega em nossas vidas anunciando um tempo de morte e renascimento. Quando algo está para morrer, devemos permitir que se vá para que algo novo possa nascer. A totalidade só é conquistada no momento que dissermos sim e dançarmos com a morte e o renascimento, Cerridwen diz a você que sempre receberá de volta o que der a ela, portanto entregue-se e renascerá.

A mais antiga forma da Deusa Tríplice, é ao mesmo tempo a Deusa da Fertilidade e da Morte, pois o mesmo poder que leva as almas para a morte, traz a vida. De seu ventre parte toda a vida e a vida provém da morte.


Fontes: Encanto de Bruxa; Templo de Avalon; 3 Fases da Lua.

O DESNECESSÁRIO, PORÉM FUNCIONAL HOMEM-ARANHA!

Ontem vi O Espetacular Homem Aranha! O filme é legal. Mas não empolga. Renato e eu ficamos discutindo porque. Adorei o elenco, mas no final, tive a sensação de que não me comoveu, diferente do primeiro Homem Aranha, que me fez até chorar. O que houve? Um dos motivos pode ser o roteiro infantil, a trama simplista e as soluções mágicas. Venhamos e convenhamos, pedir pra Gwen Stacy pegar o pó azul que era o antídoto mágico era como eu ligar para o Renato numa situação de fim do mundo e dizer: "Pegue a Wicca #17, vá até a página 156 e recite o encantamento em gaélico que está lá! Isso resolve tudo!!!".
Mesmo assim, foi legalzinho! Desnecessário, mas legalzinho. O melhor momento ainda é a aparição de Stan Lee!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

VIDAS DE UMA MESMA COR- Continuação

Por Fernando Coelho e Victor Augusto de Souza

Primeiramente, obrigado a todos que estão acompanhando as postagens dos Mestres. É sempre um grande prazer tanto meu, quanto do Fernando perceber que há uma receptividade tão boa com este tema tão rico e acolhedor. A energia de Rowena é tão poderosa, que muitas vezes não temos palavras para exprimir, então, deixo a todos com a continuação sobre as vidas passadas desta Mestra.
Caso não tenha ligo a primeira parte, clique aqui.


O APRENDIZADO CONTINUA
Canalização de Maria Silvia P. Orlovas


Aquela que eu fui, que não teve oportunidade de ver sua imagem seque refletida num veio de água, nesta vida iria ser pintada por um grande artista. Eu era então uma nobre, que teria a imagem imortalizada num quadro.
Vesti roupas suntuosas... Passei semanas me preparando, me adornando de jóias, anéis  para levar nas mãos.
Criaram penteados para carregas em minha cabeça, tiaras para me enfeitar, jóias que pertenceram às avós daquele corpo que então eu usava.
 E, para minha surpresa, em cada encontro com aquele pintor, em cada olhar dele se dirigindo a minha pessoa, eu provava o desinteresse. Assim, aqueles sapatos, que um dia foram tão importantes, me pendiam os pés... E eu me perguntava: “-Por que sapatos?”
 E aquelas roupas, que eu julgava tão belas e caras, passaram a me incomodar, passei a achar que me apertavam e desejei me libertar delas também. Aquele riquíssimo penteado e aquela cabeleira que foi coloca sobre minha cabeça faziam doer meu pescoço, e me perguntava: “- Por que tudo isso?”
 Aqueles momentos, que antes eu julgara belos, agora eram intermináveis, e para mim se tornaram cansativos, enfadonhos e narcisistas.
 Quando finalmente pude ver minha face pintada por aquele artista, vi que eu não era aquilo. Vi que não era mulher que julgava ser, e aí caí num estado de profunda depressão.
 Meus pais consternados não sabiam o que fazer comigo. Aqueles que tinham sido meus namorados, amantes e amigos, que haviam circulado no meu dia a dia, também se sentiam imponentes frente aos meus sentimentos.
 O que fariam comigo? Como poderiam me ajudar?
Eu tinha como companhia apenas a solidão e os campos verdes que avistava do meu quarto, e que não mais me encantavam; nem dias de sol me chamavam a atenção, nem sequer os dias de chuva faziam diferença. Foi nesse estado de profunda depressão que mais uma vez perguntei por Deus.
CONTINUA NO PRÓXIMO POST

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Cigana Conchita

Por Fernando Coelho e Sandrini.

Queridos lobonaltas, espero que tenho gostado da matéria em dose dupla da semana passada. Hoje vamos conhecer a cigana Conchita
Esta cigana tem a pele clara e os cabelos pretos, que usa presos em uma trança jogada para o lado direito.
Sua saia é estampada e complementada por uma blusa vermelha.
Usa muitos cordões, um deles com um pingente de topázio.
Os dedos das mãos estão sempre ornamentados com diversos anéis, e não dispensa uma flor vermelha nos cabelos.
Ela adora ganhar presentes, principalmente de flores, pois com elas faz seu perfume e suas magias.
As cartas do seu baralho tem símbolos próprios. A cigana Conchita, é espanhola, originária da Galícia.
Gosta de música e adora tocar castanholas.Quando chega à terra, tem sempre uma palavra de conforto para os aflitos, é meiga e carinhosa, e sempre fala assim:


"Sou da Galícia;
   Sou galega, com muita honra;
  Sou o amor, sou uma flor;
  Sou cigana do passado para ajudar no presente;
  Sou espanhola;
  Com muita saia colorida, danço rodopiando
  Com meu sapateado amasso as ruindades e coloco a paz neste lugar."



O BOLO DA CIGANA CONCHITA - SUA MAGIA

1 bolo aromatizado com baunilha
11 morangos
11 moedas atuais
1 rosa vermelha
11 velas brancas
1 prato de papelão



Modo de Fazer:
Faça esta oferenda na Lua Cheia. Leve todo o material para junto de uma árvore que tenha flores vermelhas ou cor de rosa. Passe o bolo simbolicamente pelo corpo e coloque-o no prato. Coloque os morangos em cima do bolo e os quibes a volta do bolo. Passe as moedas no corpo e espete-as no bolo. Arrume o prato junto a árvore. Acenda do lado esquerdo da oferenda as velas juntas, coloque a rosa no centro do bolo e peça à cigana Conchita a abertura dos caminhos.

FELIZ DIA DO ESCRITOR!!!

Hoje, 25 de julho, é dia do escritor! Escritores são contadores de história, divulgadores de conhecimento, fazedores de ideias, criadores de mundos! Escritores mudam o mundo porque mudam cabeças, dão direção, mostram caminhos, fazem rir e chorar. Então, fica aqui meu Feliz Dia do Escritor a todos que se dedicam a essa arte maravilhosa! E uma dica a quem pretende seguir esse caminho.


Como todo sonho, você terá que superar alguns desafios. Tenha coragem e siga adiante. Posso te garantir que vale a pena. Sonhos realizados espalham luz no mundo, enquanto pessoas frustradas se tornam os obstáculos de quem realiza. Nós aqui na Linhas Tortas encontramos nossa cota de “obstáculos” em forma de pessoas cuja maior alegria é tentar destruir o que está sendo construído. A elas, fica meu perdão (mas não esquecimento, que não sofro de amnésia) e minha compaixão, pois dá pena ver tanta gente que não conseguiu descobrir a própria luz tentando apagar a luz dos outros.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Deusas Negras - Uma Breve Explicação

Por Sandrini


Sempre nos deparamos com indivíduos que temem a face obscura da Deusa. Indivíduos estes, que jamais mergulharam nas sombras de sua alma.

Fugindo do dualismo monoteísta revelado, onde obrigatoriamente o que não é bem é mal, e o que não é luz são trevas, vamos encontrar na divindade – e em nós mesmos – um lado obscuro que é pouco conhecido (ou mesmo desconhecido), sem necessariamente ser mau ou negro. Muitas vezes o lado desconhecido, tanto da deusa como o nosso, pode ser luminoso. O que não podemos esquecer é que luz demais também cega.

O aspecto menos compreendido da Grande Mãe – e, por isso, o mais temido – é a Deusa Negra, a Face Ceifadora. Assim como a Donzela, a Mãe e a Anciã regem etapas do eterno ciclo da vida – do nascimento, amadurecimento e do declínio, a Deusa Negra encerra o ciclo e representa a decomposição e a morte.

Como Ceifadora, ela é a destruidora de tudo que esgotou seu tempo, de tudo que cumpriu sua finalidade e não serve mais. É ela quem limpa a terra após a colheita para o repouso necessário à germinação de novas sementes.


MAS ELA NÃO É MESMO MÁ?

Calma, pequeno gafanhoto, se você está preocupado se precisará fazer alguma magia negra ou sacrificar um bode preto, fique tranquilo! Lembre-se do Arcano XIII (13) do tarô: A Morte. Ela dita que é hora de pormos os pingos nos ‘i’s, de por ponto final nas frases. Diz que é hora de uma mudança brusca, algo irremediável e que não poderá voltar atrás. Diz que precisamos limpar a nossa vida do que já não é mais necessário ou preciso; do que está atrasando a nossa evolução.

Pois bem, com a Lua Negra é igual. Num ritual para estas Deusas você pode pedir para que elas te ajudem a arrancar de sua vida o que está te mantendo preso no mesmo lugar (até mesmo água parada fica podre, imagina energia). Muitas vezes isso é um processo doloroso, pois o que nos atrapalha pode ser um ente querido, um amigo, um familiar, um lugar, um emprego, enfim, e o ser humano é um bicho cômodo por natureza. Isso é um dos motivos pelas pessoas terem medo de ter contato com essa Face.

Um altar para uma deusa Negra deve ter, principalmente (porque, na verdade, os instrumentos vão depender muito de com qual Deusa você está trabalhando) o caldeirão, o athame, uma imagem que represente a Deusa, velas preta/vermelha/branca, uma taça de vinho (pode ser suco de uva). Algumas pessoas colocam penas pretas de corvo, mas não é uma regra.



TUDO BEM, ENTÃO SE ELA NÃO É MÁ, PORQUE AS PESSOAS TEM MEDO?

O Universo gira em torno do equilíbrio, correto? Não existe luz sem trevas, e não existem trevas sem um pingo de luz. Como a gente saberia decifrar o que é vermelho, se morássemos num mundo azul? Dessa forma, não existe Vida sem a Morte.

O “mal” e o “bem” são questões de pontos de vista, assim como a Verdade. Podemos ser pessoas boas, mas as vezes podemos agir de má fé, podemos fazer ou falar algo que seria posto como “errado” pela maior parte da sociedade. Assim como podemos ser pessoas desprezíveis, mas que uma hora se passa por bonzinho por um ou dois atos momentâneos. Ninguém é inteiramente bom, nem inteiramente mal.

Como eu disse antes, a questão é igual com a Morte do tarô: as pessoas tem medo de fazer uma faxina na sua vida, pois podem acabar indo para o lixo coisas ou pessoas com as quais ainda somos muito apegados e julgamos importantes. O que não entendemos é que isso atrapalha nosso rendimento nesse mundo.

TUDO BEM, MAS MESMO ASSIM, PORQUE EU DEVERIA ENTRAR EM CONTATO COM ELA?

Você não deve nada, jovem gazebo. Nenhum de nós é obrigado a nada, fazemos as coisas por livre e espontânea vontade. Aqui, estou apenas apontando a importância de se conhecer e de saber seus próprios limites.

Tenho certeza de que não foram poucas as vezes em que você, telespectador, viu sua vida ser virada do avesso e ficar pendurada de ponta-cabeça. Chega um momento em que você se pergunta: “Meu Deus!! Como as coisas foram parar assim?!”. Ora, você apenas passou um momento negro, ou momento de recolhimento e recapitulação dos fatos; uma época feita pra gente parar e respirar fundo. Nesse fundo de poço que, mais cedo ou mais tarde, todos nós chegamos – alguns ficam dias, outros meses e até mesmo, anos! – dizemos que você estava num momento transitório, um momento de mudança total e brusca. Como eu disse antes, ninguém gosta de perder, ainda mais quando são coisas que julgamos importantes para nós. Mas é preciso. Nossa vida é como as estações do ano: temos o nosso período de primavera, de outono, verão, e as vezes passamos pelo inverno. Para o nosso crescimento, para o nosso desprendimento, para que possamos caminhar adiante. E as Deusas Negras são expert nisso, pois elas trabalham com essa energia.

Também é importante dizer que nós não somos feitos apenas de luz. Sim, somos seres de luz que estamos aqui a favor da paz e do amor, mas não esqueçamos que somos Ying-Yang. Nada melhor pra explicar isso que contar com a ajuda de uma lenda indígena:

Um velho cherokee dava lições de vida aos seus netos. Disse-lhes:

“Está se travando uma luta dentro de mim. Luta terrível, entre dois lobos.

Um é o medo, a cólera, a inveja, a tristeza, o remorso, a arrogância a  auto-piedade, a culpa, o ressentimento, a inferioridade e a mentira.
O Outro é a paz, a esperança, o amor, a alegria, a delicadeza, a benevolência, a amizade, a empatia, a generosidade, a verdade, a compaixão e a fé.
A mesma luta está se travando dentro de vocês e de todas as outras pessoas…”
As crianças puseram-se a refletir sobre o assunto e uma delas perguntou ao avô: ” Qual dos lobos vencerá?”
O ancião respondeu:
” Aquele que for alimentado…”


Explicando: todos nós temos luz e sombras dentro da nossa alma, a diferença está em quem vai ganhar.

Entretanto, não é sábio nem viável ignorar totalmente o nosso lado obscuro, nem aprisiona-lo a 7 chaves. Prendendo uma fera, é assim que a deixamos brava.

Entrar em contato com a nossa parte sombria é uma questão de autoconhecimento, de saber até onde vamos, do que somos capazes de fazer, e até de descobrir dons e encantos que não sabíamos existir. É descer até a mais profunda cratera já conhecida, embrenhar-se na escuridão, e sair de lá mais sábio e forte do que nunca.
        
A parte escura da Deusa é sedução, é poder, é força, é independência. É ira, inveja, gula, desejo de vingança, libido. É o agir sem escrúpulos, com impulsividade. É o instinto de sobrevivência gritando mais alto, é o êxtase, é insanidade. Conhecer a si mesmo é importante, para que nunca ocorra aquele “não sei o que aconteceu, quando eu vi, já tinha feito”. É o instinto da mulher de ficar por cima, de dominar, de ser dona do próprio nariz, de ser bela sem ficar apegada a conceitos velhos de que a mulher “é um ser imundo, pois contém o pecado da carne”. De fazer o que quiser sem precisar dar satisfação a ninguém.

São muitas as Deusas Negras que cercam esse mundo. Aqui, eu já apresentei Hécate para vocês, ainda temos uma longa jornada juntos nesse mundão de meu Deus. Agora que já falei e falei sem parar, vamos a uma pequena parte prática da coisa. Vou lhes passar um ritual de meditação, para se encontrar com a Deusa ou Deus Negro dentro de você.

“Primeiramente, esteja num ambiente confortável, com pouca ou nenhuma luz. Senta-se ou deite-se confortavelmente, tendo certeza de que não será interrompido nem dormirá durante o processo.

Veja-se numa trilha no meio de uma floresta escura, ao seu lado você encontra um lampião. Carregue-o consigo e siga o seu caminho, que à medida que você avança, fica mais e mais escuro, como se o sol estivesse se pondo rapidamente.

Logo, você encontra a entrada de uma caverna. Deixe o lampião do lado de fora, pois você precisa prosseguir com coragem. Você dá o primeiro passo para dentro da caverna: se do lado de fora já estava escuro, ali dentro você mal enxerga o caminho. Cada passo, você avança mais e mais na escuridão, já não enxerga dois palmos na sua frente. Você estica as mãos para poder encontrar o caminho; você precisa confiar nos seus outros sentidos.

Em determinado momento, você topa com uma parede lisa e gelada, que você percebe ser um espelho de corpo inteiro. Por mais que você tateie as paredes ao seu redor, você apenas conta com o espelho à sua frente e a volta, logo atrás de si.

Fixe os olhos no espelho; mesmo com a escuridão absoluta, você vê um vulto percorrendo-o. Não tenha medo nem saia correndo. Logo, o vulto tomará formas, e você reconhecerá alguém naquele espelho: quem é? Qual Deusa ou Deus Negro que está se apresentando, como um reflexo de você mesmo? Qual é a sua sombra?

Quando estiver pronto para deixar a caverna, apenas gire sob os seus calcanhares, agradecendo a presença que esteve com você hoje, e saia sem pressa ou medo, mas com a cabeça erguida e com a mesma coragem que precisou ter para entrar aqui hoje.”


Espero que tenham gostado, e que o ritmo não tenha ficado cansativo ou tedioso demais!
Nos vemos na próxima!