sábado, 2 de novembro de 2019

Para todos aqueles que perderam alguém


Hoje eu gostaria de falar com você que perdeu alguém. Mas se você não perdeu ninguém ainda, pode ler também.


Somos todos perdedores. Perdedores porque perdemos pessoas pela vida. E precisamos aprender a lidar com isso. Perdemos pais, avós, amigos, filhos, cachorros, gatos, companheiros de estrada que em algum momento, fazem a curva e somem de nossas vistas. E cada um deles, sem exceção, leva um pedacinho de nós. E deixa um pedacinho deles.
Hoje é dia de saudade. Dia de lembrar com carinho dos que já fizeram a curva. Eles estão em outro lugar, também se lembrando de nós. Lembremos que para quem parte é mais difícil ainda. Nós perdemos alguém. Eles perderam todos ao mesmo tempo. Morrer também é um momento de despedida para eles e a saudade é real também para eles, mesmo que o lugar seja ótimo.
Então, o que fazer com essa saudade que dói, que pulsa, que faz os olhos se encherem d’água de repente? Sinta. Só isso. Deixe que a saudade chegue, te abrace e te console. Saudade é pra isso mesmo. É pra sentir. Quando perdemos alguém, não perdemos só a pessoa. Perdemos o tempo que poderíamos passar com ela. Temos que viver do tempo que já tivemos. Então, ao invés de lamentar pelo tempo que não teremos, vamos celebrar o tempo que tivemos. Vamos relembrar com carinho. Vamos ser gratos. Você teve um tempo com essa pessoa. De milhões de lugares, você teve a sorte de estar vivo no mesmo momento que ela.
Então, façamos um brinde! Nós, perdedores de coração partido, ergamos nossas taças, nossos copos rachados e sejamos gratos! Pelo tempo que tivemos, pelo amor que compartilhamos, pelas histórias que vivemos e pelas que agora contamos. E, mais do que isso, vamos erguer nossas taças e copos, rachados ou não, porque temos a certeza de que depois dessa curva há um vale de flores e árvores verdejantes, com uma mesa gigante rodeada de amigos de todas as vidas. E um dia nós estaremos lá, numa festa de reencontro. Até lá, façamos por merecer e vivamos com a saudade, essa visita de beleza agridoce, que hora é a fumaça de um incenso, hora a ponta de um punhal.

Eddie Van Feu, 02/11/2019


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